Vinyl

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Vinyl é uma série criada por Martin Scorsese, Mick Jagger, Rich Cohen (escritor e colaborador das revistas Vanity Fair e Rolling Stone) e Terence Winter (The Sopranos e Boardwalk Empire) que visa mesclar a temática de submundo de Scorsese com a indústria musical dos anos 70 vivenciada por Jagger. Nesse intento, o quarteto foi bem sucedido. Mas a série tem problemas.

Trata-se de mais uma série curta (10 episódios) com mais de 50 minutos por episódios. Entretanto, o primeiro episódio, o único dirigido por Scorsese, é na verdade um filme. O piloto tem quase duas horas e é uma obra típica do diretor. Enxuta, redonda, firme, melhor do que muitos de seus filmes mais recentes (parece que a ansiedade de ganhar Oscar estava mesmo bloqueando sua criatividade – depois do prêmio, seus filmes melhoraram).

Quando chega ao final, achei a história redondinha – um crápula da indústria musical, mas muito talentoso, que chega ao fundo do poço e é literalmente salvo pelo rock’n’roll – que pensei ser cada episódio uma história diferente. Mas não, no segundo episódio estavam todos lá, e dessa vez com menos de uma hora de episódio.

O segundo episódio é muito divertido, o mais engraçado da série, e parece apontar em uma determinada direção. Só que nos episódios seguintes o caldo meio que desanda. Talvez preocupado de mais em retratar o período, homenagear artistas, registrar costumes, a história perde o foco, enrola e fica sem ritmo. Há pelo menos três episódios muito fracos. Enfim, o que foi contado em 10 poderia ter sido feito em 6 episódios.

Apesar disso, a caracterização está muito boa. Exceto por um esquisitíssimo Robert Plant, você embala no sonho com Lou Reed, David Bowie, Alice Cooper, John Lennon, Andy Warhol. Entretanto, a trama policial se torna muito óbvia, cartesiana.

Só no último capítulo a série recupera o pique e surpreende. Coincidência ou não (acredito que não), o 2° e o último episódios foram escritos por Terence Winter, que co-escreveu com seus colegas de criação o piloto. Ou seja: o que há de melhor na série tem o dedo dele.

No geral, a série acaba valendo a pena, mas a grande frustração fica por conta do final. Ou não final. As tramas principais encontram um desfecho, mas a temporada se encerra com algumas pontas soltas. Na época, estava prevista uma segunda temporada, mas quatro meses depois a HBO decidiu cancelá-la.

Doutor Estranho

dr-estranho

Pra início de conversa, as piadas são ótimas. E adorei o filme até o acidente de carro, incluindo o acidente de carro. Mas, depois, não sei se foi porque a minha expectativa estava lá em cima, gostei do filme mas não me empolguei. Preferi o desenho animado, confesso.
Pontos negativos:
1- Aquele mesmo efeito especial de manipulação da realidade. É mágica, Pode-se fazer qualquer coisa! Dá pra ser mais criativo? Nem que fosse pra chupar de Inception.
2- Stephen Strange é a arrogância em pessoa. Em todas as origens ele tem essa arrogância quebrada, um choque de humildade. Neste filme, não. Todo o processo é conduzido na base da argumentação. Em nenhum momento há uma quebra real. Ele continua o mesmíssimo personagem do início, só que passando por experiências que fazem o bem dentro dele se sobressair. E ele estava claramente lá desde o início. O filme retrata um Strange mais humano do que nas outras versões, ainda que igualmente egocêntrico.
3- A trama não é ruim, tampouco complexa. Mas é de um grau altíssimo de poder. Strange fazer a diferença nesse combate soa forçado, pois o seu treinamento não permite tanto conhecimento. Claro que aparecerão explicações que mostrarão que ele poderia, mas isso não aparece no filme, e deveria.
4- Por falar em treinamento, Strange mal chega no Nepal e já é apresentado ao manual do mundo místico. Muito rápido. Broxante.
5- O ritmo foi muito acelerado, parecia quadrinhos dos anos 60. A narrativa não dava o tempo necessário pra trama evoluir.
6- Como em Matrix e quase todo filme americano, uma cena de perseguição infinita e dispensável.
7- Mordo poderia ter feito o que fez no final, mas não com aquele discurso e sorrisinho. Não combinou com o personagem apresentado no filme.
Pontos positivos.
1- O ator. Está ótimo, melhor do que em Sherlock.
2- Como disse, todas as cenas até o acidente de carro são muito boas. Pena que o filme não manteve o nível.
3- Como também já disse, as piadas são ótimas.
4- Dra. Palmer, bom personagem.
5- A Anciã, também bom personagem.
6- O vilão, apesar de clichê na forma, o diálogo dele com Strange mostra profundidade, suas motivações convencem.
7- Os itens mágicos e as referências a coisas bastante conhecidas nos quadrinhos, incluindo a caracterização de Dormammu.
8- A forma que Strange achou pra derrotar Dormammu.
E, sempre lembrando, TEM CENA DEPOIS DOS CRÉDITOS!!!

A Vitória Impensável

9 de novembro às 09:55

O mundo não acordou um lugar melhor, mas certamente se tornou um lugar mais interessante. Particularmente se você for um alienígena que esteja só de passagem e não precise viver aqui.

A vitória de Trump mostra os riscos de se subestimar um adversário só por ser o que ele é. Principalmente quando esse adversário é escolhido por um árduo escrutínio intra partidário. Foca-se na pessoa do candidato e se esquece de seus eleitores, as pessoas que ele representa.

Na entrevista a Jimmy Fallon, Obama agradecia aos Republicanos por ter tornado a vitória de Hillary mais fácil ao ter escolhido Trump (e quem não pensou assim?).

Nos debates, Hillary exibia aquele sorrisinho de autossatisfação e superioridade, estilo Marta Suplicy, como se não estivesse levando Trump a sério. E talvez não estivesse mesmo.

Quando foi constado um comparecimento maior às urnas, imediatamente os analistas consideraram o fato um bom indicativo para Hillary, como se o eleitor consciente só pudesse votar nela, e os eleitores de Trump fossem umas bestas feras. No fim das contas, o favorecido pelo “voto consciente” foi Trump.

É o perigo, também, de ignorar um eleitorado que se julga ignorado e desprezado por seus governantes. Mesmo se Hillary tivesse vencido em Michigan, Wisconsin e Pensilvânia (e, assim, as eleições), os EUA estariam divididos entre Democratas na costa oeste e nordeste, e Republicanos no centro e sudeste. Los Angeles e New York são as faces dos EUA para o mundo, e votaram pesadamente em Hillary. É como avaliar o Brasil por Rio e São Paulo. Um erro. Se, com a derrota acachapante de Hillary, os Democratas derem uma guinada à esquerda, como falam os analistas, veremos um longo domínio Republicano.

Lula não se tornou um fenômeno político ao defender um discurso de esquerda, mas ao saber falar com o povo brasileiro. Da mesma forma, Trump soube captar a alma da América profunda. Ele fez exatamente o contrário do que recomendava os think tanks de seu partido. E venceu assim. Os Republicanos que disseram não apoiar Trump valem tanto quanto a oposição do PSOL ao PT: na hora de votar, que é o que interessa, votam a favor.

Lula ganhou sua primeira eleição com um discurso conciliador e governou dividindo o país entre nós e eles. E ainda sofremos as consequências disso. Trump já arrombou as portas da Casa Branca com esse discurso de nós contra eles. Nada animador. Quem diria que sentiríamos saudades de Bush?

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9 de novembro às 19:34

Antes mesmo de ver a coisa ficar preta, digo, laranja pro lado de Hillary, um pensamento me ocorreu…
Bruce Springsteen tornou-se ao longo dos anos um dos mais engajados cabos eleitorais dos Democratas. Sempre retratou em suas canções o americano comum sujo de graxa dos subúrbios e das pequenas cidades americanas. Sua vida, seus sonhos, suas angústias e pequenas vitórias.
Não deixa de ser irônico que, muito provavelmente, tenham sido esses americanos retratados por Bruce aqueles que conduziram Trump à Casa Branca.

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9 de novembro às 21:58

Vamos olhar pelo lado positivo… Pelo menos as torres de Trump na Leopoldina não saíram do papel.

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9 de novembro às 22:15

Enquanto no Brasil o PT nos levou de volta para os anos 70/80 (para concluir a obra só falta dar um calote e voltarmos com a hiperinflação), nos EUA, Trump propõe um projeto muito mais ousado: voltar para a virada do século! Do XIX pro XX, claro…

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10 de novembro às 02:08

No fim das contas, não só Hillary venceu Trump no voto direto por uma pequena margem de votos (uns 200 mil), relembrando a derrota de Al Gore, como os votos em Trump ficaram cerca de um milhão abaixo do derrotado Mitt Romney em 2012 e outros 200 mil abaixo do também derrotado John McCain em 2008.

Ou seja, Hillary foi mais perdedora dessas eleições do que Trump o vencedor. Não quero com isso desmerecer a vitória do Laranjão, mas apenas evidenciar o quanto o baixo apelo de Hillary junto ao eleitorado foi fundamental.

Rola pelas redes sociais alguns comentários sobre o voto ser na terça-feira, o que prejudica o voto do negro/latino trabalhador etc… Bem, nada disso impediu Obama de ter os votos necessários para superar dois candidatos que receberam mais votos do que Trump. ou seja: balela!

Esse resultado também não desmerece o fato de Trump ter conseguido captar a alma do americano comum e fazê-lo sair de casa pra votar. Isso explica porque Trump, sendo tudo o que é, ainda assim conseguiu os votos que obteve.

Talvez essa diferença de votos, na distribuição dos delegados, não fizesse tanta diferença, a não ser que os eleitores que Hillary não tenha conseguido fazer sair de casa morem na Pensilvânia, Wisconsin e em Michigan. Mas… que ficou feio, isso ficou. Afinal, se o mundo hoje acordou pasmo com os resultados das eleições americanas, deve-se muito à rejeição a Madame Clinton.

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11 de novembro às 01:30

Em 2000, quando vi Bush ganhar de Al Gore com um número menor de votos, aquilo me pareceu um absurdo. Só que não é.

Primeiro, que é raro isso acontecer. Aconteceu de novo com a vitória de Trump. E, quando acontece, a diferença de votos é mínima.

Segundo, isso não é contra a democracia, apenas é um tipo de democracia diferente da nossa. Trata-se de uma democracia federativa, que está muito de acordo com as origens dos EUA. Não se tratava de um pais, mas de várias colônias juntando forças.

Por isso, para o sistema político americano, é mais importante o equilíbrio entre os estados do que o voto individual. O sistema leva em consideração o peso demográfico de cada estado, mas de forma a não permitir que a vontade de uns poucos estados mais populosos prevaleçam sobre os demais.

Essa uma questão que atormenta os argentinos desde a independência, com Buenos Aires em eterna queda de braço com o resto do país.

No Brasil, o Norte-Nordeste sempre se queixaram do domínio do Sul-Sudeste, mas não se questiona o voto direto.
Não se trata de um estar mais certo do que o outro, é apenas uma questão cultural. A eleição é deles, não nossa. E o mapa abaixo, por distrito, mostra bem o tamanho do problema.

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11 de novembro às 16:17

Agora virou moda criticar a imprensa por ter esnobado Trump e torcer por Hillary. Justo. Foi isso mesmo o que aconteceu. Mas o verdadeiro sentido dessa crítica, na verdade, é apontar o dedo aos americano e dizer como eles aceitaram Trump como presidente.

Ora, “os americanos”, esses americanos que votaram em Trump, representam 25% dos eleitores. Ou seja: um em cada quatro americanos. Se você entrar em um elevador nos EUA na companhia de 8 pessoas, duas delas terão votado em Trump. E duas delas terão votado em Hillary. As outras, simplesmente não saíram de casa.

Então, não se trata de dizer que Trump ganhou porque o americano é isso ou aquilo. Talvez tenha sido por Hillary ser isso e aquilo outro. Esse americano eleitor que votou em Trump já estava lá votando em Bush, McCain, Romney. E por que não votaria em Trump? Votaria da mesma forma que eu eleitor de Lula votaria em Dilma. Simplesmente porque é o candidato “do seu lado”, não importa o quão inapropriado possa parecer. Mensalão? Não importa, é o nosso candidato. Destruiu nossa economia? Não importa, basta não ser o candidato “do outro lado”.

Trump venceu com menos votos que os seus antecessores perderam. Ainda assim, venceu. Mas como? Ah, porque venceu em estados antes dominados pelos democratas. Dominados? Será mesmo? Nestes estados, ainda que os democratas estivessem ganhando nas eleições presidenciais, em Wisconsin e Michigan os governadores são republicanos. Trump soube fazer essa leitura, entender essa virada de humor nos eleitores do norte, e investiu nisso. Por que a imprensa não viu isso também? Por que Hillary, não só não viu, como sequer quis perder tempo indo ao Wisconsin durante a campanha?

A culpa da imprensa, portanto, foi ter contribuído a esse clima de “já ganhou”, a tal bolha sobre a qual Michael Moore havia alertado alguns meses antes. Hillary, tão certa de que a fanfarronice de Trump o manteria longe da Casa Branca, não soube correr atrás do eleitorado perdido, sem sequer perceber que estava perdendo. O eleitor que talvez não quisesse Trump, mas tampouco morria de amores por Hillary, convencido pela imprensa de que seu voto não seria necessário, decidiu não votar.

Pensamentos de um início de noite sem perspectivas…

Anos atrás, em um encontro de família ou de amigos, uma pequena patota de ex-viciados em futebol de botão falava dos velhos tempos. Então meu primo Marcelo falou: “Sabe que até hoje, às vezes, me bate uma vontade danada de jogar botão…”
E alguém perguntou: “E aí, o que vc faz?”
“Eu espero uns dois minutos e a vontade passa”, foi a resposta anticlímax.

Eu ando assim… Quando finalmente chego em frente ao meu PC (o que, depois do horário de verão, significa muito tarde mesmo), já estou tão cansado que não consigo me lançar a nenhuma empreitada minimamente criativa.

Às vezes me dá o impulso de aceitar o convite para mestrar Bandeirantes pra galera da Ocupação Marginal. Chego até a pensar em alguns plots, warm up via msg etc. Mas aí me lembro da minha fobia social e a vontade passa. Provavelmente ia passar a noite com vontade de sair correndo…

Outro dia, essa semana mesmo, pensei em chamar o Samora e o Aloísio pera fazer um blog com o título “Turma do Textão”, do qual só poderia participar quem escrevesse mais de quatro parágrafos (não poderia ter tido essa antes, pois o Aloísio não escrevia em parágrafos, mas agora ele decidiu adotá-los).

Há poucas semanas cheguei até a entrar na página de pós-graduação em História e Ciências Políticas da UERJ, espetado por uma sugestão do Carlos Klimick. Não a toa deu “Sonho” pra mim no quiz dos Perpétuos.

Sempre que faço baldeação pra ir pra casa, passo em frente a um barzinho simpático e animado, e penso em dar uma sentada para beliscar algo e tomar um chopp. Aí penso na Ju me ligando e reclamando da minha demora. Nunca sentei lá. E não será hoje, pois tenho de passar em outro lugar pra pegar uma encomenda de congelados.

Depois que subimos com o Michel, olho pela janela e vejo o pessoal ainda na praça, os amiguinhos dele ainda correndo até mais tarde. Queria descer, comprar uma cerveja no Bigode, jogar conversa fora. Restrinjo-me aos meus limites virtuais.

E aí chega o verão, o horário de verão, o sol inclemente, o calor nauseante. E quando não é isso, é o céu caindo sobre nossas cabeças. Já não gosto de acordar cedo. No verão, não gosto sequer de estar acordado. É possível hibernar no verão?

Então penso em tudo o que fazia e deixei de fazer, o que gostaria de fazer e não estou fazendo. Aí o Michel me chama e percebo que não estava fazendo nada de muito importante.

Ele me chama pra tocar violão com ele (“iolão dipapai”) e penso se não seria interessante retomar as aulas de violão antes que ele perceba que o pai dele não sabe tocar. Mas eu espero uns dois minutos e a vontade passa.

Sua majestade, o povo…

Não existe povo de direita ou povo de esquerda, o que existe é povo satisfeito ou insatisfeito.
Se há emprego e dinheiro no bolso, o povo, em regra, vota com o governo. Quando faltam estes dois itens básicos, o povo quer mudança. Qualquer mudança, desde que se mude.
Portanto, iludem-se partidos e líderes que acham que, ao ganhar a eleição, o povo viu a luz, abraçou seu projeto, converteu-se a sua ideologia. É igual a técnico de futebol no Brasil: basta perder 3 consecutivas pra balançar no cargo.
É por isso que temos alternância de poder, oscilação entre vertentes políticas. Nem direita nem esquerda detém o segredo da vida, as chaves do Paraíso ou a cura para todos os males. Por isso, também, a democracia é preferível a qualquer regime monolítico.
Por outro lado, não se esqueçam: no caso de tanto direita quanto esquerda estarem mal na fita, o povo é essencialmente conservador.

Luke Cage

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As primeiras críticas que ouvi sobre Luke Cage (e foram muitas) diziam que a série era muito lenta e arrastada. De fato, os 5 primeiros episódios confundem close e cenas demoradas em silêncio com profundidade e densidade. Não são sinônimas. Muitas vezes uma cena lenta é apenas uma cena que demora mais do que o necessário. Só que, quando o ritmo acelera, eu até tive saudade da lentidão inicial. Contudo, não achei a lentidão ruim. É desnecessária, mas como roteiro e atuação são bons, dá pra levar.

Aí vem a outra crítica que li: o vilão principal. De fato, ele é raso como um lava-pé de piscina e caricato como um vilão de quadrinhos dos anos 60. Pra piorar, há o desperdício de três bons personagens na 1ª metade da série (o tal Kid Cascavel só aparece na 2ª parte). Se era para substituir Cornell por um vilão com uma das piores já vistas, melhor continuar com ele.

Até a prisão do Cornell, tudo ia muito bem, mas depois as coisas ficaram meio apressadas e inverossímeis, como um vilão do top de Kid Cascavel dominar tecnologia alienígena. A entrada de Claire também foi forçada. Nas aparições dela em Demolidor e Jessica Jones, em nenhum momento ela se mostra muito à vontade com o universo justiceiro. Ela poderia ter ajudado um conhecido de Luke ou algo assim, e aí os dois pudessem se aproximar, interessarem-se um pelo outro, e então ela resolveria ajuda-lo. Mas ela já chega no restaurante da Sônia Braga (um achado!) querendo um super-herói pra chamar de seu.

Misty Knight rende um bom personagem, cujo descontrole acaba ficando coerente com o personagem. A mudança de chefia na delegacia, de uma chefe que favorece os mocinhos pra outra que lhes dificulta a vida já é tão clichê que ficou ruim. Shades é tão fodão que fica inexplicável como poucos anos antes ele era apenas um capanga do guarda corrupto de Seagate. Mariah é uma boa vilã vacilante: uma política sem nenhum escrúpulo, mas que preferia não se envolver diretamente no crime organizado. Luke já conhecíamos de Jessica Jones, assim como o ótimo trabalho de seu intérprete.

Um grande acerto da série foi sair um pouco do ar viciado de Hell’s Kitchen, volta e meia tratado como se fosse a própria New York. Os ares do Harlem fizeram muito bem a Luke Cage.

Só o final me desceu mal, como uma espécie de reboot. É como se a produção assumisse que não tinha mais ideia de como avançar naquele caminho com o personagem (Luke Cage, o herói do Harlem) e decidisse começar tudo de novo, só que tomando outro caminho. Pode até funcionar, mas não gosto da estratégia. Prefiro uma série que avança rumo ao desconhecido àquelas que reciclam ideias já testadas.

Presidentes e Ditadores

Muita gente reclamando que a imprensa trate Fidel Castro como “presidente”.
Bem, isso não me incomoda tanto, afinal, o cargo não é esse? Não era “imperador”, “rei” ou “pontífice”. Da mesma forma podemos chamar Presidente Pinochet, Presidente Fujimori, Presidente Chávez, Presidente Médici…
Ser presidente é um cargo, uma função, não precisa ser necessariamente um líder escolhido por via democrática.
As análises é que matam. Presidente, comandante ou o raio que o parta, ditador é ditador, e merece sempre um olhar bastante crítico.
Aí vem o Daniel Aarão Reis, respeitado professor de História da UFF (sem ironia), e tenta minimizar o paredão de Che Guevara dando a entender que a grande maioria dos fuzilados eram torturadores. E chama de julgamento um tribunal de exceção de rito sumaríssimo.
Por essas e outras que a esquerda perde cada vez mais sua credibilidade. Quantos Trumps ainda serão necessários?

Penny Dreadful – 3ª temporada

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Os grandes acertos da 1ª temporada de Penny Dreadful foram a reconstituição de época, os atores e a escolha dos personagens. As tramas eram o menos importante. O foco era a apresentação e desenvolvimento dos personagens. Foi tão bom que você nem liga para o péssimo aproveitamento dos vampiros. Aí, quando eles decidem revisitar o tema na terceira, você imagina: eles perceberam a mancada e vão tentar se redimir. Não, eles continuaram mandando mal com os vampiros.

Uma vez apresentados e desenvolvidos os personagens, nas temporadas seguintes os produtores tiveram que investir na trama. Aí a coisa complicou. Tanta a segunda quanto a terceira tem coisas bregas, forçadas, meia-boca. Algumas adaptações muito ruins, como Dr. Jeckyll, Mina e Drácula. Alguns desandam, como o duo Victor Frankentein e o “monstro”. E a série ainda se dá ao luxo de desperdiçar precocemente bons personagens, como a morte prematura de Van Helsing, que obrigou os produtores a inventarem uma versão feminina para a terceira temporada. O criado africano de Sir Malcom também prometia muito mais. Deixou a impressão de ter morrido sem ter todo o seu potencial explorado. Conheceu-se pouco dele.

Vanessa Ives ficou parecendo personagem de Fringe: em cada temporada lhe davam um flashback, sendo que estes não pareciam se encaixar muito bem.

A história de Chandler, a menos explorada e a mais misteriosa, acabou tendo um desenvolvimento meio capenga, ainda que tenha rendido boas cenas.

No final das contas, poderíamos ter ficado apenas com a 1ª temporada. E por falar em “só deveria ter tido o 1°”, um McLeod até que cairia bem na Londres do século XIX.

Uma tarde incomum

1 de fevereiro às 13:48

As bombas começaram a pipocar logo depois de eu ter voltado da rua. O que é muito estranho. O clima da manifestação estava bastante tranquilo, pacífico. Estranho que, menos de cinco minutos depois, tenha começado o tumulto. Toda pinta de confusão orquestrada.

Íamos sair pra almoçar, mas as ruas estão cobertas de fumaça, restaurantes e lojas todas fechadas. Liguei pra minha opção de restaurante mais perto e eles disseram que estão com as portas cerradas e os clientes tossindo bastante lá dentro. Ainda bem que tenho barra de cereal e chocolate na gaveta. Será o meu almoço.

E, pra não perder o hábito…

Sorria, vc está no Rio!

1 de fevereiro às 23:37

Da janela do trabalho era possível os black blocks (não eram servidores estaduais) se preparando na esquina da rua pra tacar pedra na polícia. Quando começou o apedrejamento, logo vieram duas bombas de gás.

O cruzamento da Assembleia com a Rio Branco, onde o ônibus foi queimado e havia uma barricada de guerra, ficava justamente no caminho entre meu trabalho e o metrô da Carioca. Eu até poderia contornar pela praça, mas não podia arriscar a Ju, grávida, respirar gás lacrimogêneo.

Já passando das 17h, criamos coragem de sair para almoçar. Até porque já se aproximava da hora dela sair pra pegar o Michel na creche. Pra minha sorte, foi no momento em que fomos liberados, pois eu não deixar a Ju chegar sozinha ao metrô.

Descendo a Quitanda, a coisa tava bem mais tranquila, com as lanchonetes e restaurantes abertos. Comemos uma deliciosa pizza Marguerita no Zona Sul da Alfândega. De lá, rumamos pro metrô da Uruguaiana.

Como os servidores haviam se deslocado pra Candelária e havia muita polícia em volta, quebramos pra Buenos Aires. Contudo ao chegarmos no Camelódromo, a fila pra entrar na estação chegava na rua. Claro! Com a Presidente Vargas fechada, não passava ônibus em sentido algum. Aqueles que vinham em direção ao Centro, entravam todos na avenida Passos, que virou a sucursal do inferno (a sede era a Rio Branco).

Assim, a melhor opção era caminharmos até a Central, onde muita gente desce pra fazer a baldeação com o trem ou com os ônibus do terminal. Pegamos o vagão lotado, mas dentro dos limites de civilidade e saneamento. E olha que saiu gente pra burro!
Pegamos o Michel tranquilamente, dentro do horário. Tão feliz em ver o papai cedo em casa que nem quis ir na pracinha. Ainda bem, pois estávamos mortos!

2 de fevereiro às 18:20

Vou falar algumas coisinhas sobre o que aconteceu ontem no Centro do Rio que, provavelmente, vc não lerá ou verá nos jornais.

Já comentei aqui meu estranhamento quanto ao fato da confusão ter se iniciado do nada, quando o ambiente da manifestação estava tranquilo e as pessoas ao redor bastante relaxadas.

Pois bem… Meia hora depois, policiais desciam de helicóptero sobre os prédios da cidade para ficar lançando bombas lá de cima, indiscriminadamente, na direção de qualquer agrupamento de pessoas (santa eficiência, Batman!). Vocês sabem que as ruas do Centro, numa quarta à tarde, costumam ficar desertas, né? Então as pessoas nas ruas só poderiam ser manifestantes, óbvio!

Na esquina da nossa rua (pena que ninguém pensou em filmar na hora), um policial lançava bombas de gás a esmo. Ele recarregava a arma, apontava pra qualquer lado e atirava. Sem olhar, sem dar tempo entre um tiro e outro, só o tempo necessário para recarregar.

A guerra campal e o ônibus incendiado foram obra dos black blocks (ou algo parecido), que não eram servidores estaduais. Vestiam sua famigerada camisa enrolada no rosto (que não era de improviso, pois eles vestiam uma camisa e usavam outra no rosto), usavam luvas de borracha (não sei com que objetivo), e ficavam, muito habilmente, retirando pedras portuguesas para usarem de arsenal (deve ser por isso que as chamam de “portuguesa”, pois, apesar dessas pedras serem continuamente usadas para atacar policiais e guardas, elas continuam ali).

STF

Convenhamos que poucos ministros do STF foram indicados por seu saber jurídico. Alguns são oriundos do TST, do STJ , ou da AGU. Outros, nem isso. Ainda assim, é preciso ver como se deu a nomeação para esses cargos.

Fux foi promotor de justiça, juiz (1° colocado) e desembargador, antes de chegar ao STJ, pelo terço destinado a desembargadores.

Rosa Weber entrou na justiça do trabalho via concurso e chegou a presidente do TRT da 4ª Região. Foi indicada por Lula ao TST.

O próprio Teori era advogado do Banco Central, foi nomeado juiz federal. Tornou-se desembargador pelo quinto. Tornou-se presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e foi nomeado para o STJ por FHC.

Carmen Lúcia foi PGJ de Minas. Ainda assim, Demóstenes Torres foi PGJ de Goiás. Imagina se tivesse virado ministro!

Celso e Marco Aurelio ainda são de uma época em que uma nomeação pro STF não tinha o peso que passou a ter. Ainda assim, Celso era promotor de justiça e passou a exercer sucessivas funções de assessor e consultor no governo estadual e federal. Marco Aurelio, do TST, como sabemos, era o primo.

Joaquim Barbosa era apenas um procurador com um bom currículo acadêmico, mas sem nenhum destaque. Sabemos bem as circunstâncias fortuitas de sua indicação.

Gilmar também foi um procurador com currículo acadêmico, professor de Constitucional na UnB, ocupando cargos de assessoria e consultoria em Brasília desde 1991. Collor e Itamar, não só FHC, usufruíram de seu saber jurídico.

Barroso era advogado, procurador do estado e professor renomado. Pouco, né? Não se soubermos que ele foi o advogado do Cesare Battisti,

Lewandowski era professor de relações internacionais e de Teoria Geral do Estado, Nada excepcional. Chegou a desembargador pelo quinto, como prêmio pelos serviços prestados a Orestes Quércia. Sabemos que deve sua indicação ao STF a Marisa Letícia (não sei qual era a ligação entre eles).

Fachin foi procurador do estado e professor no Paraná. Tinha ligações com a CUT, com o PT, pra quem fez campanha, era ligado a Greenhalg.

Mas nada se compara a Dias Toffoli, cuja carreira de advogado sempre foi ligada à atuação política junto à CUT e ao PT.

Alexandre de Moraes foi primeiro colocado em seu concurso para promotor de justiça e chegou a PGJ de São Paulo. Autor conhecido, partiu pra carreira política como secretário de estado.

E aí? Política ou conhecimento jurídico?

(7 de fevereiro de 2017)