O Rio antes do Rio

o-rio-antes-do-livro

Jornalistas e seus hobbies às vezes rendem resultados inusitados. Rafael Freitas da Silva, produtor do Esporte Espetacular, resolveu escrever um livro que procura retratar o Rio de Janeiro antes de sua fundação por Estácio de Sá em 1º de março de 1565. Até seus colegas se surpreenderam.

Minha mãe (que adorou o livro) disse que o único defeito é o autor não ser antropólogo. Entretanto, para relatos descritivos que exigem uma boa dose de investigação, leitura comparativa e cruzamento de dados, os profissionais de jornalismo se sentem muito à vontade e rendem bem.

O mais difícil, em uma empreitada dessa natureza, é encontrar as fontes. Os historiadores ficaram praticamente dependentes dos relatos de jesuítas e aventureiros. Mas, sobre o Rio, a maior fonte de informações é francesa. Tendo de escrever o livro paralelamente ao trabalho na Globo, ficou para a mãe do autor, Neise, a missão de vasculhar instituições e bibliotecas pelo mundo atrás de obras antigas e desaparecidas. Talvez um making of do livro seja tão interessante quanto o próprio.

O Rio antes do Rio é composto por quatro capítulos bem marcados. O primeiro é dedicado a cultura dos tupinambás. Seus rituais (principalmente o antropofágico), as relações internas das tabas, o papel do homem, da mulher, da criança, o desenvolvimento social desde a tenra infância até ser considerado um adulto completo, o nascimento, alimentação, organização política, casamento, sexo etc.

No segundo capítulo, o autor parte para a descrição das tabas existente no Rio de Janeiro na primeira metade do século XVI. São 160 páginas destinadas ao assunto, quase metade do livro. Talvez justamente a parte de interesse mais específico aos cariocas, que poderão vislumbrar como era a sua cidade antes da chegada do europeu e encontrar vestígios dessa época nos dias de hoje; e àqueles que estudam a língua tupi.

Partindo principalmente das andanças do francês Jean de Léry nos anos 50, antes da chegada de Estácio de Sá, Rafael tenta identificar a localização de cada taba no município e ao redor da baía da Guanabara, fazendo pequenas pontes com os dias atuais. Sempre que possível, conta alguma história ocorrida nela, quando dá abertura a mais informações de ordem cultural. Quase sempre, por meio do topônimo, discorre sobre a fauna e a flora local, e especula sobre as possíveis características da aldeia e do morubixaba local. Como as fontes sobre o tema são compostas mais de lacunas do que por dados, o autor tenta sempre preenchê-las analisando os significados dos termos tupis associados a cada lugar.

Estes dois primeiros capítulos são essenciais para criar a ambiência da época, transmitir ao leitor uma pálida ideia do impacto que a beleza natural do Rio provocou em franceses, portugueses e espanhóis que por aqui passaram naqueles primeiros anos. Impacto, aliás, não muito diferente daquele provocado nos próprios tupinambás, que vieram descendo a costa para expulsar os carijós que aqui viviam. Ao chegarem a essas terras, os tupinambás julgaram ter encontrado a Terra Sem Mal, o enclave do paraíso na terra, como também acreditaram alguns europeus.

Os dois capítulos seguintes se dedicam a uma deliciosa narrativa histórica. Uma vez apresentados os protagonistas e o cenário, chega a hora de apresentar o enredo.

No terceiro capítulo, são narradas todas as viagens de navegantes europeus que passaram pela baía nem que fosse para um breve pit stop, desde a primeiríssima viagem de Américo Vespúcio até a viagem dos irmãos Martim Afonso e Pero de Sousa, e o subsequente azedamento da relação entre portugueses e tupinambás a partir do estabelecimento daqueles em São Vicente, onde vivam os rivais tupiniquins.

O quarto capítulo narra justamente a chegada dos franceses, a tentativa de colonização, e a guerra contra os portugueses, terminando com a fundação da cidade e o massacre dos tupinambás.

Aqui fica claro que a animosidade entre tupinambás e portugueses é anterior à chegada dos franceses, devido à escravização dos tupinambás em moldes bem diferentes ao culturalmente aceito por eles. Como os tupiniquins eram aliados dos portugueses, os escravos eram obtidos entre as tribos rivais, tupinambás e carijós. Até então, os tupinambás cariocas receberam bem praticamente todos os europeus que chegaram a suas costas. E não foi diferente com os franceses. Entretanto, a intolerância religiosa de Nicolas Villegagnon (agindo de forma contrária a que fora instruído pela coroa francesa) levou ao total fracasso da França Antártica. Quando os portugueses chegaram à baía para combater os franceses, a colonos se encontravam divididos, seu líder havia partido para buscar reforços (que jamais obteria), muitos colonos já haviam debandado, partindo de volta com os navios que levavam pau-brasil, e o apoio dos tupinambás reduzidíssimo devido ao conflito de Villegagnon com os truchements, os órfãos franceses deixados ali 10 anos antes para conviverem com os índios. A derrota dos franceses era questão de tempo. A briga que se seguiu depois contra os tupinambás é que foi acirrada e longa. Estácio de Sá emerge dessa história como um verdadeiro herói dos portugueses, conseguindo defender um precário aldeamento com status de cidade por dois anos, contra todas as probabilidades.

Quem sai com a imagem desgastada de tudo isso é o padre José Anchieta, que se revela um empolgado articulador político em favor dos portugueses, não se importando em negociar um tratado de paz que só servia para garantir tempo aos portugueses, e que chamou as forças de Mem de Sá que massacraram os tupinambás de Paraguaçu, na Bahia, de “esquadrões de Cristo”.

Assim, O Rio antes do Rio alcança seu objetivo com louvor. É tanta informação concentrada que a leitura se torna lenta, mas obrigatória a todos que se interessam por história do Brasil e cultura indígena.

O Jogo do Anjo

O Jogo do Anjo

Finalmente criei coragem para ler O Jogo do Anjo, segundo livro da série O Cemitério dos Livros Esquecidos, do escritor catalão Carlos Ruiz Zafón. Abri suas páginas um pouco desanimado, pois todos que eu conheço ficaram um tanto insatisfeitos com ele, sendo que a maioria até desistiu de ler o terceiro, O Prisioneiro do Céu.

A principal crítica seria inconsistências em relação ao primeiro, A Sombra do Vento. Li preparado para encontrá-las e posso afirmar categoricamente que não há. Não há nada aqui que não encaixe no livro anterior, seja em relação aos personagens, seja em relação à cronologia.

Outra, que não é bem uma crítica, é pelo fato de ser um prequel. Apesar de se passar antes dos eventos de A Sombra do Vento, inclusive com personagens do núcleo narrativo deste, O Jogo do Anjo é uma história completamente independente. Tanto faz ler um ou outro primeiro. Mas entendo a frustração de quem esperava ler a continuação da história de Daniel Sempere, ou mais sobre Julián Carax.

O livro, lançado sete anos depois do primeiro, reforça a impressão de que, inicialmente, Zafón pensava em escrever várias histórias independentes cujos personagens se esbarrassem e que tivessem em comum o Cemitério dos Livros Esquecidos. O estilo narrativo direto de O Prisioneiro do Céu me faz crer que o autor deixou essa ideia de lado, decidiu dar continuidade à história de Daniel e fundir as duas narrativas anteriores em uma só, já apontando para a sua continuação, O Labirinto dos Espíritos, que chega às livrarias brasileiras no fim de agosto.

Ao fazer isso, contudo, Zafón mudou completamente o final de O Jogo do Ano, quando ele conta rapidamente o que aconteceu nos 15 anos seguintes da vida de David Martín, o jovem escritor protagonista. Simplesmente NADA do que está escrito ali bate com o que é narrado em O Prisioneiro do Céu. Aguardo ansiosamente pela continuação pra ver se ele dá alguma desculpa. Só uma, a meu ver, é possível: na prisão, todos duvidam da sanidade de Martín. Lá, ele tenta escrever suas memórias, ao qual dá o título de O Jogo do Anjo, cujo manuscrito termina nas mãos de Daniel. Com isso, Zafón pode alegar que o livro que lemos antes (de fato narrado em primeira pessoa) foi escrito por uma pessoa perturbada e que não podemos acreditar em tudo o que ele conta. Uma péssima saída, certamente. Talvez para reforçar esse jogo de ficção dentro da ficção, um quinto livro da série já está prometido: A Sombra do Vento escrito por Julián Carax.

Quanto ao livro em si, a narrativa é mais sombria que a anterior. O protagonista, contudo, não é exatamente uma pessoa simpática, mas um sujeito cético e cínico. Porém, mais do que no livro anterior, a forma como a narrativa vai enredando o leitor (e o personagem) é muito hábil e atraente. Lá pelo meio, não entendia como meus amigos não haviam gostado dele. O desfecho, no entanto, é bastante frustrante. Não só porque quase nada é explicado, como ainda escapa pelo lado do sobrenatural, como um Twin Peaks da vida. Uma saída fácil na qual tudo passa a ser permitido e possível. Como tudo em A Sombra do Vento acaba se revelando realista (como também em O Prisioneiro do Céu), o sobrenatural destoa e decepciona.

Interessante observar diversas pontes entre os dois primeiros livros, além da livraria dos Sempere. No primeiro, há a literatura como um espelho da vida (ou vice-versa). O segundo aborda as engrenagens da literatura. Nos dois há uma editora pouco conhecida e um personagem misterioso. Nos dois há uma história trágica no passado que o protagonista é levado a investigar para entender o que se passa com ele no presente. Ambos os protagonistas têm um policial em seu encalço. Nos dois livros há uma família importante, um casarão imponente na subida do morro, um amor proibido, uma fuga de trem frustrada e um escritor genial e maldito, pouco conhecido. E, principalmente (o que me irrita um pouco), a insistência de Zafón em descrever um cenário de névoas, sombras, crepúsculos avermelhados, nuvens de chumbo, fortes tempestades, folhas levantadas pelo vento. A secretaria de turismo de Barcelona não deve gostar de Zafón.

Por outro lado, este, mais do que qualquer outro livro da série, me deu vontade de voltar à cidade e percorrer aquelas ruas estreitas do bairro gótico.

No fim das contas, o papo de que não importa a leitura dos livros não procede. Por exemplo: deve-se começar com O Jogo do Anjo ou com A Sombra do Vento. Realmente tanto faz, embora considere menos frustrante começar por O Jogo do Anjo. Assim, de certa forma, um começaria onde o outro terminou: em 1945. Além disso, a presença do sobrenatural neste faria com que, ao ler A Sombra do Vento, a imaginação do leitor voasse ainda mais alto.

Entretanto, seria um total absurdo ler O Prisioneiro do Céu antes de A Sombra do Vento, uma vez que aquele é uma continuação de fato deste. Por outro lado, ler o terceiro livro depois de O Jogo do Anjo teria sido para mim extremamente irritante devido às discrepâncias entre os dois. Além disso, se O Jogo do Anjo é, afinal, o manuscrito de Martín entregue a Daniel Sempere, é como se estivéssemos folheando suas páginas junto com o livreiro.

Assim, prefiro a minha ordem: A Sombra do Vento, O Prisioneiro do Céu e O Jogo do Anjo. E que venha o labirinto!

OUTLANDER

Outlander

Para preencher a semana entre os episódios de Game of Thrones, resolvemos checar a série anglo-americana Outlander. Só sabia que era uma série de época, passada nas highlands escocesas. Mas eis que ação começa nos últimos instantes da Segunda Guerra. A protagonista, uma enfermeira, volta pra casa e, junto com o marido, um historiador que serviu no serviço de inteligência britânico, partem para uma segunda lua de mel na Escócia. O objetivo principal é se reconhecerem após tanto sem mal se verem. A guerra havia mudado a ambos. O drama, entretanto, não é esse, pois eles se entendem muito bem, a ponto do marido poder se dedicar a seu objetivo secundário: pesquisar a vida de um antepassado do século XVIII, um temido capitão inglês.

Um toque sobrenatural fica sugerido por eles terem ido na época do dia das bruxas local. Sem querer, presenciam um ritual em um local tipo Stonehenge. E é lá que nossa heroína, uma vez sozinha, é transportada 200 anos no passado e se vê em meio a um tiroteio entre soldados britânicos e rebeldes escoceses. E, claro, dá de cara com o tal antepassado do marido, interpretado pelo mesmo ator. Mas, supresa!, ele é o vilão da série, capaz de fazer Darth Vader parecer um ser misericordioso.

Com um fraco por viagem no tempo e filmes de época, decidimos acompanhar a série, a qual, inicialmente, parecia ser destinada a ser a eterna tentativa de volta ao lar, como uma espécie de Dorothy no Túnel do Tempo. Ledo engano.

Pesquisando sobre a série, fiquei sabendo tratar-se de uma adaptação de uma série de livros lançada nos anos 90 pela escritora americana Diana Gabaldon, que ganhou por aqui o título A Viajante do Tempo. Diana queria treinar para romancista e, vendo um episódio de Doctor Who, pensou em um personagem para um romance de época ma Escócia do século XVIII, o verdadeiro protagonista da trama. Mas como o par romântico de escocês era uma espécie de visão crítica dos costumes da época, a autora chegou à conclusão que tais pensamentos eram muito avançados, e chegou à conclusão que ela poderia ser uma viajante do tempo, tomando o protagonista do herói escocês. Ao saber disso, vi que Claire Beauchamp não voltaria ao século XX no fim da temporada, que o foco era mesmo as aventuras no passado.

A personagem é do tipo heroína romântica com atitude, mas que cai de quatro pelo ruivo musculoso com pinta de galã, tirado de algum romance de Barbara Cartland. A reconstituição de época e ênfase na cultura local garante o interesse e a qualidade. Muitos diálogos são em gaélico e sem legenda (propositalmente, uma vez que a série é narrada em primeira pessoa).

O vilão, apesar de ser mau feito um pica-pau, com uma perversidade chocante e sem filtro, escapa da caricatura, revelando alguma complexidade em sua vilania. Raramente se vê um vilão tão cruel de forma tão realista. Geralmente a caricatura é uma forma de abrandar o lado negro da alma humana, nos apresentando um vilão irreal. Quando se tem um vilão realista, é comum tentar explicá-lo ou torná-lo ambíguo. Black Jack Randall é complexo sem ser ambíguo; cruel sem cair na afetação; e muito mau mesmo.

Mas, lá pelo meio da temporada de 16 episódios, alguém resolveu que estava faltando sexo na trama. E dá-lhe cenas dignas das historietas eróticas que passam de madrugada no Multishow. Tentativas de estupro da heroína, então, triplicaram. Que Claire sofresse esse tipo de assédio é algo natural dado o contexto, mas a frequência repentina foi de chamar a atenção. Mas o único estupro levado a cabo (sem trocadilho), e com requintes de detalhes e sadismo, foi homossexual. Eu não consegui assistir, mas a minha esposa sequer parou de comer. Disse que estava interessada nos diálogos (tipo entrevista da Playboy, saca?).

Entre mortos e feridos, a temporada se encerra com o polegar pra cima. Por que não, então, partir pros 13 episódios da temporada seguinte?

Se a primeira temporada foi baseada no primeiro livro da série, a segunda é baseada no 2º livro: A Libélula no Âmbar. E começou com o pé esquerdo, mas com um gancho irresistível pra te deixar curioso pra saber o que diabos aconteceu: um ano depois dos eventos do final da primeira temporada, Claire volta ao século XX dois anos após sua partida. Claro que a temporada se destina a contar o que aconteceu neste meio tempo.

Só que há muitas inconsistências e uma trama muito maluca que leva o casal de protagonistas a Paris. Tudo bem que a corte de Versailles é um tanto caricata por natureza, mas a afetação da série contrasta muito com a seriedade e respeito com que foi retratada a cultura highlander. A ponto de eu liberar a série pra minha esposa assistir sem mim. Ela vai me contando o que vai acontecendo. Se melhorar, eu volto a assistir. Isso se ela também não desistir no meio.

O Prisioneiro do Céu

19397153_1506872106044946_586110604663785083_n

Quando fui dar continuidade à trilogia de Carlos Ruiz Zafón, me disseram que o segundo livro, O Jogo do Anjo, era uma espécie de prequel de A Sombra do Vento. Depois, descobri que a história sequer era sobre Daniel Sempere, o protagonista do primeiro livro. Então parti para o terceiro livro, O Prisioneiro do Céu, confiando no texto introdutório, que dizia que os livros podiam ser lidos fora de ordem. Mais ou menos: A Sombra do Vento não pode ser lido depois de O Prisioneiro do Céu.

De fato, eu estava curioso em saber o que havia acontecido com Daniel, e achei desestimulante ler uma outra história do Cemitério dos Livros Esquecidos que nada tivesse a ver com a primeira. E O Prisioneiro do Céu continua a história quase exatamente de onde parou o primeiro livro. Entretanto, a experiência literária é bem diferente.

Enquanto A Sombra do Vento é composta de duas narrativas paralelas que se entrelaçam, O Prisioneiro do Céu é mais linear, ainda que boa parte seja em flashback. A estrutura do livro é bem simples, corrida e direta. Não a toa é o mais curto dos três. Enquanto o primeiro soa como uma metáfora literária, o terceiro é praticamente um thriller detetivesco com um toque nada sutil de O Conde de Monte Cristo. É bastante envolvente ao nos aprofundarmos na história de Fermín Romero de Torres, mas parece um apêndice à história original.

O livro revela um coadjuvante de luxo, David Martin, que dá título à obra. Na verdade, Martín é o protagonista de O Jogo do Anjo. Para quem ler a trilogia na ordem, ficará sabendo o destino de Martín. Já para quem, como eu, pulou o segundo livro, ficará instigado a descobrir o passado do escritor. Assim, passei a ter a curiosidade que antes me faltara para ler o segundo livro.

Ano passado, Zafón publicou o quarto e último livro da série, O Labirinto dos Espíritos (ainda sem tradução), para o qual todas as narrativas parecem convergir.

Vinyl

images

Vinyl é uma série criada por Martin Scorsese, Mick Jagger, Rich Cohen (escritor e colaborador das revistas Vanity Fair e Rolling Stone) e Terence Winter (The Sopranos e Boardwalk Empire) que visa mesclar a temática de submundo de Scorsese com a indústria musical dos anos 70 vivenciada por Jagger. Nesse intento, o quarteto foi bem sucedido. Mas a série tem problemas.

Trata-se de mais uma série curta (10 episódios) com mais de 50 minutos por episódios. Entretanto, o primeiro episódio, o único dirigido por Scorsese, é na verdade um filme. O piloto tem quase duas horas e é uma obra típica do diretor. Enxuta, redonda, firme, melhor do que muitos de seus filmes mais recentes (parece que a ansiedade de ganhar Oscar estava mesmo bloqueando sua criatividade – depois do prêmio, seus filmes melhoraram).

Quando chega ao final, achei a história redondinha – um crápula da indústria musical, mas muito talentoso, que chega ao fundo do poço e é literalmente salvo pelo rock’n’roll – que pensei ser cada episódio uma história diferente. Mas não, no segundo episódio estavam todos lá, e dessa vez com menos de uma hora de episódio.

O segundo episódio é muito divertido, o mais engraçado da série, e parece apontar em uma determinada direção. Só que nos episódios seguintes o caldo meio que desanda. Talvez preocupado de mais em retratar o período, homenagear artistas, registrar costumes, a história perde o foco, enrola e fica sem ritmo. Há pelo menos três episódios muito fracos. Enfim, o que foi contado em 10 poderia ter sido feito em 6 episódios.

Apesar disso, a caracterização está muito boa. Exceto por um esquisitíssimo Robert Plant, você embala no sonho com Lou Reed, David Bowie, Alice Cooper, John Lennon, Andy Warhol. Entretanto, a trama policial se torna muito óbvia, cartesiana.

Só no último capítulo a série recupera o pique e surpreende. Coincidência ou não (acredito que não), o 2° e o último episódios foram escritos por Terence Winter, que co-escreveu com seus colegas de criação o piloto. Ou seja: o que há de melhor na série tem o dedo dele.

No geral, a série acaba valendo a pena, mas a grande frustração fica por conta do final. Ou não final. As tramas principais encontram um desfecho, mas a temporada se encerra com algumas pontas soltas. Na época, estava prevista uma segunda temporada, mas quatro meses depois a HBO decidiu cancelá-la.

Doutor Estranho

dr-estranho

Pra início de conversa, as piadas são ótimas. E adorei o filme até o acidente de carro, incluindo o acidente de carro. Mas, depois, não sei se foi porque a minha expectativa estava lá em cima, gostei do filme mas não me empolguei. Preferi o desenho animado, confesso.
Pontos negativos:
1- Aquele mesmo efeito especial de manipulação da realidade. É mágica, Pode-se fazer qualquer coisa! Dá pra ser mais criativo? Nem que fosse pra chupar de Inception.
2- Stephen Strange é a arrogância em pessoa. Em todas as origens ele tem essa arrogância quebrada, um choque de humildade. Neste filme, não. Todo o processo é conduzido na base da argumentação. Em nenhum momento há uma quebra real. Ele continua o mesmíssimo personagem do início, só que passando por experiências que fazem o bem dentro dele se sobressair. E ele estava claramente lá desde o início. O filme retrata um Strange mais humano do que nas outras versões, ainda que igualmente egocêntrico.
3- A trama não é ruim, tampouco complexa. Mas é de um grau altíssimo de poder. Strange fazer a diferença nesse combate soa forçado, pois o seu treinamento não permite tanto conhecimento. Claro que aparecerão explicações que mostrarão que ele poderia, mas isso não aparece no filme, e deveria.
4- Por falar em treinamento, Strange mal chega no Nepal e já é apresentado ao manual do mundo místico. Muito rápido. Broxante.
5- O ritmo foi muito acelerado, parecia quadrinhos dos anos 60. A narrativa não dava o tempo necessário pra trama evoluir.
6- Como em Matrix e quase todo filme americano, uma cena de perseguição infinita e dispensável.
7- Mordo poderia ter feito o que fez no final, mas não com aquele discurso e sorrisinho. Não combinou com o personagem apresentado no filme.
Pontos positivos.
1- O ator. Está ótimo, melhor do que em Sherlock.
2- Como disse, todas as cenas até o acidente de carro são muito boas. Pena que o filme não manteve o nível.
3- Como também já disse, as piadas são ótimas.
4- Dra. Palmer, bom personagem.
5- A Anciã, também bom personagem.
6- O vilão, apesar de clichê na forma, o diálogo dele com Strange mostra profundidade, suas motivações convencem.
7- Os itens mágicos e as referências a coisas bastante conhecidas nos quadrinhos, incluindo a caracterização de Dormammu.
8- A forma que Strange achou pra derrotar Dormammu.
E, sempre lembrando, TEM CENA DEPOIS DOS CRÉDITOS!!!

A Vitória Impensável

9 de novembro às 09:55

O mundo não acordou um lugar melhor, mas certamente se tornou um lugar mais interessante. Particularmente se você for um alienígena que esteja só de passagem e não precise viver aqui.

A vitória de Trump mostra os riscos de se subestimar um adversário só por ser o que ele é. Principalmente quando esse adversário é escolhido por um árduo escrutínio intra partidário. Foca-se na pessoa do candidato e se esquece de seus eleitores, as pessoas que ele representa.

Na entrevista a Jimmy Fallon, Obama agradecia aos Republicanos por ter tornado a vitória de Hillary mais fácil ao ter escolhido Trump (e quem não pensou assim?).

Nos debates, Hillary exibia aquele sorrisinho de autossatisfação e superioridade, estilo Marta Suplicy, como se não estivesse levando Trump a sério. E talvez não estivesse mesmo.

Quando foi constado um comparecimento maior às urnas, imediatamente os analistas consideraram o fato um bom indicativo para Hillary, como se o eleitor consciente só pudesse votar nela, e os eleitores de Trump fossem umas bestas feras. No fim das contas, o favorecido pelo “voto consciente” foi Trump.

É o perigo, também, de ignorar um eleitorado que se julga ignorado e desprezado por seus governantes. Mesmo se Hillary tivesse vencido em Michigan, Wisconsin e Pensilvânia (e, assim, as eleições), os EUA estariam divididos entre Democratas na costa oeste e nordeste, e Republicanos no centro e sudeste. Los Angeles e New York são as faces dos EUA para o mundo, e votaram pesadamente em Hillary. É como avaliar o Brasil por Rio e São Paulo. Um erro. Se, com a derrota acachapante de Hillary, os Democratas derem uma guinada à esquerda, como falam os analistas, veremos um longo domínio Republicano.

Lula não se tornou um fenômeno político ao defender um discurso de esquerda, mas ao saber falar com o povo brasileiro. Da mesma forma, Trump soube captar a alma da América profunda. Ele fez exatamente o contrário do que recomendava os think tanks de seu partido. E venceu assim. Os Republicanos que disseram não apoiar Trump valem tanto quanto a oposição do PSOL ao PT: na hora de votar, que é o que interessa, votam a favor.

Lula ganhou sua primeira eleição com um discurso conciliador e governou dividindo o país entre nós e eles. E ainda sofremos as consequências disso. Trump já arrombou as portas da Casa Branca com esse discurso de nós contra eles. Nada animador. Quem diria que sentiríamos saudades de Bush?

***

9 de novembro às 19:34

Antes mesmo de ver a coisa ficar preta, digo, laranja pro lado de Hillary, um pensamento me ocorreu…
Bruce Springsteen tornou-se ao longo dos anos um dos mais engajados cabos eleitorais dos Democratas. Sempre retratou em suas canções o americano comum sujo de graxa dos subúrbios e das pequenas cidades americanas. Sua vida, seus sonhos, suas angústias e pequenas vitórias.
Não deixa de ser irônico que, muito provavelmente, tenham sido esses americanos retratados por Bruce aqueles que conduziram Trump à Casa Branca.

***

9 de novembro às 21:58

Vamos olhar pelo lado positivo… Pelo menos as torres de Trump na Leopoldina não saíram do papel.

***

9 de novembro às 22:15

Enquanto no Brasil o PT nos levou de volta para os anos 70/80 (para concluir a obra só falta dar um calote e voltarmos com a hiperinflação), nos EUA, Trump propõe um projeto muito mais ousado: voltar para a virada do século! Do XIX pro XX, claro…

***

10 de novembro às 02:08

No fim das contas, não só Hillary venceu Trump no voto direto por uma pequena margem de votos (uns 200 mil), relembrando a derrota de Al Gore, como os votos em Trump ficaram cerca de um milhão abaixo do derrotado Mitt Romney em 2012 e outros 200 mil abaixo do também derrotado John McCain em 2008.

Ou seja, Hillary foi mais perdedora dessas eleições do que Trump o vencedor. Não quero com isso desmerecer a vitória do Laranjão, mas apenas evidenciar o quanto o baixo apelo de Hillary junto ao eleitorado foi fundamental.

Rola pelas redes sociais alguns comentários sobre o voto ser na terça-feira, o que prejudica o voto do negro/latino trabalhador etc… Bem, nada disso impediu Obama de ter os votos necessários para superar dois candidatos que receberam mais votos do que Trump. ou seja: balela!

Esse resultado também não desmerece o fato de Trump ter conseguido captar a alma do americano comum e fazê-lo sair de casa pra votar. Isso explica porque Trump, sendo tudo o que é, ainda assim conseguiu os votos que obteve.

Talvez essa diferença de votos, na distribuição dos delegados, não fizesse tanta diferença, a não ser que os eleitores que Hillary não tenha conseguido fazer sair de casa morem na Pensilvânia, Wisconsin e em Michigan. Mas… que ficou feio, isso ficou. Afinal, se o mundo hoje acordou pasmo com os resultados das eleições americanas, deve-se muito à rejeição a Madame Clinton.

***

11 de novembro às 01:30

Em 2000, quando vi Bush ganhar de Al Gore com um número menor de votos, aquilo me pareceu um absurdo. Só que não é.

Primeiro, que é raro isso acontecer. Aconteceu de novo com a vitória de Trump. E, quando acontece, a diferença de votos é mínima.

Segundo, isso não é contra a democracia, apenas é um tipo de democracia diferente da nossa. Trata-se de uma democracia federativa, que está muito de acordo com as origens dos EUA. Não se tratava de um pais, mas de várias colônias juntando forças.

Por isso, para o sistema político americano, é mais importante o equilíbrio entre os estados do que o voto individual. O sistema leva em consideração o peso demográfico de cada estado, mas de forma a não permitir que a vontade de uns poucos estados mais populosos prevaleçam sobre os demais.

Essa uma questão que atormenta os argentinos desde a independência, com Buenos Aires em eterna queda de braço com o resto do país.

No Brasil, o Norte-Nordeste sempre se queixaram do domínio do Sul-Sudeste, mas não se questiona o voto direto.
Não se trata de um estar mais certo do que o outro, é apenas uma questão cultural. A eleição é deles, não nossa. E o mapa abaixo, por distrito, mostra bem o tamanho do problema.

***

11 de novembro às 16:17

Agora virou moda criticar a imprensa por ter esnobado Trump e torcer por Hillary. Justo. Foi isso mesmo o que aconteceu. Mas o verdadeiro sentido dessa crítica, na verdade, é apontar o dedo aos americano e dizer como eles aceitaram Trump como presidente.

Ora, “os americanos”, esses americanos que votaram em Trump, representam 25% dos eleitores. Ou seja: um em cada quatro americanos. Se você entrar em um elevador nos EUA na companhia de 8 pessoas, duas delas terão votado em Trump. E duas delas terão votado em Hillary. As outras, simplesmente não saíram de casa.

Então, não se trata de dizer que Trump ganhou porque o americano é isso ou aquilo. Talvez tenha sido por Hillary ser isso e aquilo outro. Esse americano eleitor que votou em Trump já estava lá votando em Bush, McCain, Romney. E por que não votaria em Trump? Votaria da mesma forma que eu eleitor de Lula votaria em Dilma. Simplesmente porque é o candidato “do seu lado”, não importa o quão inapropriado possa parecer. Mensalão? Não importa, é o nosso candidato. Destruiu nossa economia? Não importa, basta não ser o candidato “do outro lado”.

Trump venceu com menos votos que os seus antecessores perderam. Ainda assim, venceu. Mas como? Ah, porque venceu em estados antes dominados pelos democratas. Dominados? Será mesmo? Nestes estados, ainda que os democratas estivessem ganhando nas eleições presidenciais, em Wisconsin e Michigan os governadores são republicanos. Trump soube fazer essa leitura, entender essa virada de humor nos eleitores do norte, e investiu nisso. Por que a imprensa não viu isso também? Por que Hillary, não só não viu, como sequer quis perder tempo indo ao Wisconsin durante a campanha?

A culpa da imprensa, portanto, foi ter contribuído a esse clima de “já ganhou”, a tal bolha sobre a qual Michael Moore havia alertado alguns meses antes. Hillary, tão certa de que a fanfarronice de Trump o manteria longe da Casa Branca, não soube correr atrás do eleitorado perdido, sem sequer perceber que estava perdendo. O eleitor que talvez não quisesse Trump, mas tampouco morria de amores por Hillary, convencido pela imprensa de que seu voto não seria necessário, decidiu não votar.

Pensamentos de um início de noite sem perspectivas…

Anos atrás, em um encontro de família ou de amigos, uma pequena patota de ex-viciados em futebol de botão falava dos velhos tempos. Então meu primo Marcelo falou: “Sabe que até hoje, às vezes, me bate uma vontade danada de jogar botão…”
E alguém perguntou: “E aí, o que vc faz?”
“Eu espero uns dois minutos e a vontade passa”, foi a resposta anticlímax.

Eu ando assim… Quando finalmente chego em frente ao meu PC (o que, depois do horário de verão, significa muito tarde mesmo), já estou tão cansado que não consigo me lançar a nenhuma empreitada minimamente criativa.

Às vezes me dá o impulso de aceitar o convite para mestrar Bandeirantes pra galera da Ocupação Marginal. Chego até a pensar em alguns plots, warm up via msg etc. Mas aí me lembro da minha fobia social e a vontade passa. Provavelmente ia passar a noite com vontade de sair correndo…

Outro dia, essa semana mesmo, pensei em chamar o Samora e o Aloísio pera fazer um blog com o título “Turma do Textão”, do qual só poderia participar quem escrevesse mais de quatro parágrafos (não poderia ter tido essa antes, pois o Aloísio não escrevia em parágrafos, mas agora ele decidiu adotá-los).

Há poucas semanas cheguei até a entrar na página de pós-graduação em História e Ciências Políticas da UERJ, espetado por uma sugestão do Carlos Klimick. Não a toa deu “Sonho” pra mim no quiz dos Perpétuos.

Sempre que faço baldeação pra ir pra casa, passo em frente a um barzinho simpático e animado, e penso em dar uma sentada para beliscar algo e tomar um chopp. Aí penso na Ju me ligando e reclamando da minha demora. Nunca sentei lá. E não será hoje, pois tenho de passar em outro lugar pra pegar uma encomenda de congelados.

Depois que subimos com o Michel, olho pela janela e vejo o pessoal ainda na praça, os amiguinhos dele ainda correndo até mais tarde. Queria descer, comprar uma cerveja no Bigode, jogar conversa fora. Restrinjo-me aos meus limites virtuais.

E aí chega o verão, o horário de verão, o sol inclemente, o calor nauseante. E quando não é isso, é o céu caindo sobre nossas cabeças. Já não gosto de acordar cedo. No verão, não gosto sequer de estar acordado. É possível hibernar no verão?

Então penso em tudo o que fazia e deixei de fazer, o que gostaria de fazer e não estou fazendo. Aí o Michel me chama e percebo que não estava fazendo nada de muito importante.

Ele me chama pra tocar violão com ele (“iolão dipapai”) e penso se não seria interessante retomar as aulas de violão antes que ele perceba que o pai dele não sabe tocar. Mas eu espero uns dois minutos e a vontade passa.

Sua majestade, o povo…

Não existe povo de direita ou povo de esquerda, o que existe é povo satisfeito ou insatisfeito.
Se há emprego e dinheiro no bolso, o povo, em regra, vota com o governo. Quando faltam estes dois itens básicos, o povo quer mudança. Qualquer mudança, desde que se mude.
Portanto, iludem-se partidos e líderes que acham que, ao ganhar a eleição, o povo viu a luz, abraçou seu projeto, converteu-se a sua ideologia. É igual a técnico de futebol no Brasil: basta perder 3 consecutivas pra balançar no cargo.
É por isso que temos alternância de poder, oscilação entre vertentes políticas. Nem direita nem esquerda detém o segredo da vida, as chaves do Paraíso ou a cura para todos os males. Por isso, também, a democracia é preferível a qualquer regime monolítico.
Por outro lado, não se esqueçam: no caso de tanto direita quanto esquerda estarem mal na fita, o povo é essencialmente conservador.

Luke Cage

541752

As primeiras críticas que ouvi sobre Luke Cage (e foram muitas) diziam que a série era muito lenta e arrastada. De fato, os 5 primeiros episódios confundem close e cenas demoradas em silêncio com profundidade e densidade. Não são sinônimas. Muitas vezes uma cena lenta é apenas uma cena que demora mais do que o necessário. Só que, quando o ritmo acelera, eu até tive saudade da lentidão inicial. Contudo, não achei a lentidão ruim. É desnecessária, mas como roteiro e atuação são bons, dá pra levar.

Aí vem a outra crítica que li: o vilão principal. De fato, ele é raso como um lava-pé de piscina e caricato como um vilão de quadrinhos dos anos 60. Pra piorar, há o desperdício de três bons personagens na 1ª metade da série (o tal Kid Cascavel só aparece na 2ª parte). Se era para substituir Cornell por um vilão com uma das piores já vistas, melhor continuar com ele.

Até a prisão do Cornell, tudo ia muito bem, mas depois as coisas ficaram meio apressadas e inverossímeis, como um vilão do top de Kid Cascavel dominar tecnologia alienígena. A entrada de Claire também foi forçada. Nas aparições dela em Demolidor e Jessica Jones, em nenhum momento ela se mostra muito à vontade com o universo justiceiro. Ela poderia ter ajudado um conhecido de Luke ou algo assim, e aí os dois pudessem se aproximar, interessarem-se um pelo outro, e então ela resolveria ajuda-lo. Mas ela já chega no restaurante da Sônia Braga (um achado!) querendo um super-herói pra chamar de seu.

Misty Knight rende um bom personagem, cujo descontrole acaba ficando coerente com o personagem. A mudança de chefia na delegacia, de uma chefe que favorece os mocinhos pra outra que lhes dificulta a vida já é tão clichê que ficou ruim. Shades é tão fodão que fica inexplicável como poucos anos antes ele era apenas um capanga do guarda corrupto de Seagate. Mariah é uma boa vilã vacilante: uma política sem nenhum escrúpulo, mas que preferia não se envolver diretamente no crime organizado. Luke já conhecíamos de Jessica Jones, assim como o ótimo trabalho de seu intérprete.

Um grande acerto da série foi sair um pouco do ar viciado de Hell’s Kitchen, volta e meia tratado como se fosse a própria New York. Os ares do Harlem fizeram muito bem a Luke Cage.

Só o final me desceu mal, como uma espécie de reboot. É como se a produção assumisse que não tinha mais ideia de como avançar naquele caminho com o personagem (Luke Cage, o herói do Harlem) e decidisse começar tudo de novo, só que tomando outro caminho. Pode até funcionar, mas não gosto da estratégia. Prefiro uma série que avança rumo ao desconhecido àquelas que reciclam ideias já testadas.